quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Essência da Alma





Do papel branco, formaram-se cores
e da tela pálida, universos.
Das tristezas, arrancou sorrisos
e das paisagens, pensamentos imersos

Pintava com lápis, caneta, giz
Com qualquer coisa ele criava
A cada traço, sua alma mais feliz
O traçado do pincel o completava

Durante os problemas enfrentados
Em seus desenhos ele se refugiava
E por mais que a vida lhe fosse cruel
era seu mundo que importava

Fora assim desde sempre
Aprendera a nunca perder a calma.
Pois, mesmo com os defeitos deste planeta
O que lhe importava era a essência da alma


domingo, 27 de julho de 2014

Domingos chuvosos


E de repente, viu - se presa em uma realidade quase inversa à que estava poucos minutos atrás - em seu sonhos. Seu corpo parecia pesar toneladas, enquanto afundava naquela superfície macia em que estava estendido. Fez força para levantar, mas a sua volta, formaram-se correntes, elos de tecido tramados, e seu esforço lhe pareceu vão. Em seu entorno, o mundo andava e, enquanto em seu pensamento surgiam um turbilhão de ideias que se confundiam com a realidade, ela permanecia estancada, imóvel, praticamente extinta, confusa em seu mundo de sonhos. Vozes sussurravam em seu ouvido canções de ninar e o frio lá fora parecia que iria não só lhe arrancar a alma, mas também a rasgar em  pequenos pedaços de gelo, antes de despedaçá-los no chão.
Tentou uma última vez se desvencilhar daquela maré de cobertores e conforto que surgiam a sua volta, inutilmente. Parou de resistir, afinal... Talvez não faria mal se ficasse mais uns 30 minutinhos na cama.



Depois de anos, volto a escrever. Talvez não com toda a intensidade de antes, ou paixão, ou facilidade, mas acho que é uma coisa que se desenvolve com a prática. Da falta, surgiu o desejo que se instalou em mim, e então a oportunidade me veio. Uma situação corriqueira, devo admitir, praticamente banal. Mas que foi o estopim para que meu cérebro começasse a trabalhar quase que sozinho.

terça-feira, 23 de julho de 2013

Here and Back Again


Bem, cá estou eu aqui de novo! Depois de quanto tempo? Décadas talvez? Quem sabe ao certo... A questão é que parei de escrever: primeiro por falta de tempo, depois por falta de criatividade, e dessa forma e estanquei nesta situação. 
Nunca mais peguei uma caneta que não fosse para copiar a matéria ou fazer lista de compras. Nunca mais digitei nada que não fosse trabalhos, pesquisas o chats no facebook. Quando me propunha a escrever, nada vinha e minha mente logo se ditraía com a formiga que passava ou como o sol que refletia na janela. 
A questão é que essa falta de tempo virou comodismo, e passei a me acostumar com a saudade que escrever me dava. Afinal, sentir saudade é uma coisa tão natural no meu mundo de hoje que, o que seria apenas mais uma coisa para somar à lista?
Ando numa fase meio revoltosa, e hoje - talvez pelo fato de meu quarto não ter janelas para eu poder admirar o sol- me bateu uma indignação terrível em relação a mim mesma. Afinal, saudade de algo ou alguém que está distante  é uma coisa, mas sentir saudade de algo que você pode fazer a qualquer momento?  
Comecei então a tentar lembrar do motivo que me fez parar de escrever. "Falta de tempo", foi o que me veio à cabeça. Mas não me pareceu uma desculpa válida; falta de tempo todos temos, e se isso me impede de fazer as coisas agora, oxalá daqui a alguns anos, quando tiver que trabalhar, estudar, cuidar de casa e sabe-se - mais - o - que? Não! Falta de tempo não é desculpa, nunca foi e nunca será!
Há também o problema da criatividade, "não adianta escrever um texto sem sentido, que não se saiba sobre o que se vai escrever". Oxe! Minha vida nem sempre tem sentido e nem por isso isso eu deixo de viver!
E foi desta maneira que resolvi fazer esta postagem, não para dizer algo que realmete tenha valor, apenas para deixar registrado minha indignação com o comodismo. Coisa medonha! Nos faz deixar de fazer o que gostamos e ainda aprendermos a conviver com isso! Não mais! Informo a você, preguiça desvairada, que, assim como a falta de tempo não me impede de comer, dormir e respirar, ela também não irá me impedir de escrever. E que o céu caia sobre minha cabeça se eu voltar a me sentir triste por alguma coisa que eu  possa ter.

E assim fica o registro de minha indignação ao mundo.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Paralelo

Numa tarde de segunda eu sonhava
Com um mundo encantado cheio de magia e amor
O amor que para uns é musica, para outros uma flor
Para mim tudo.

E tudo o que quero é encontrar meu caminho
Dentre flores e florestas, vales e também jardins
Pois são nos jardins que moram as flores
Retalhos de carinho

Carinho bom, como abraço de mãe, beijo de pai...
O pai que cantava em seu berço para adormecer
E acordar no mundo dos sonhos
Sonhos mágicos de noites inteiras
Intensamente vividas, passadas, choradas, amadas

E por mais que lute o homem,
entre flores e sonhos sempre volta o amor.


A final, o que é um poema? É apenas um conjunto de palavras sem sentido, não necessariamente com algum nexo, ou será que é algo mais?
Fizemos esse poema na aula de Sociologia. Eu, Mariana e Thamyres. Uma sem olhar a frase da outra, sabendo apenas a palavra final da frase que a outra tinha escrito. Ele tem algum sentido para vocês? O que acharam?

sábado, 3 de setembro de 2011

Queimada



Coração chora ao ouvir
a natureza se queimando,
o estalar das árvores,
como um grito de socorro.
Todo o verde se esvaindo
E a agonia dos animais.
Fogo maldito que passa
e a sua volta, tudo se desfaz

Anjo da morte, que queima, mata,
sufoca, arrasa.
Consome tudo que vê
sem dó nem piedade.
Chama de ódio,
intenso tormento.
Tu matas nossa mãe.
Mãe Natureza
que agora jaz
em cinzas e destruição.








sábado, 2 de abril de 2011

Coração de ferro

Vanessa era uma garota comum, alguns diriam que era até um pouco comum demais: ria quando via alguém cair; chorava quando via um filme triste e não gostava de matemática. Seus cabelos castanhos ondulados lhe caiam até os ombros, geralmente presos com uma trança.
 Foi uma criança feliz e sempre cercada de amigos. Não era das mais comportadas, mas nunca chegou a dar problemas a seus pais. Seu lema era: ¨viva intensamente cada minuto de sua vida¨.
Seu pai faleceu quando tinha 15 anos  por causa de um problema cardíaco. Em seu leito de morte fez Vanessa prometer que teria um bom emprego para dar uma vida melhor a seus filhos. Quando ele se foi, ela chorou por uma semana.
Aconteceu quando tinha uns vinte e poucos; entrou na faculdade e se apaixonou perdidamente por um filhinho de papai: mimadinho, até bonitinho - loirinho de olhos azuis - mas que virou sua cabeça.
Namoraram por seis meses, mas terminaram por ela ser ¨emotiva demais¨. Pobre Vanessa, sentiu  seu mundo se esfarelar a sua volta, as palavras dele ficavam latejando em sua cabeça:
- Você e preocupa demais com seus sentimentos! Assim você nunca vai conseguir crescer na vida!
Ela passou a noite pensando no que ele havia lhe dito e, ao acordar, havia tomado uma decisão: não ia mais deixar seus sentimentos interferirem em suas coisas. Havia perdido o amor de sua vida por causa deles, não ia perder mais nada.
Se entregou aos estudos. Não mais saía por falta de tempo e, aos poucos, foi perdendo os amigos.
Se formou como primeira da turma e logo conseguiu um emprego em uma empresa internacional. Em dois anos já era chefe de seu andar. Seus colegas de trabalho diziam que, ¨apesar de ela ser de carne, seu coração parecia de ferro¨.
Hoje, aos quarenta anos, Vanessa é uma mulher de negócios . Nunca mais chorou, nunca mais riu, nunca mais se apaixonou. Vanessa, agora, é uma mulher rica, bem- sucedida, com um coração impenetrável.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011




Marisa levantou, arrrumou a cama. ‘Mais um dia tedioso’, pensou revirando os olhos. Tomou café, se arrumou e, antes de sair, deu uma última olhada no espelho. Refletida naquele pedaço de vidro com bordas de madeira entalhada, havia uma criatura frágil, pálida, abandonada , de aparência sem graça fitando-a. Marisa se assustou. Aquele ser tristonho, que dava pena só de olhar era ela!
Uma lágrima fugiu de seu olhos e foi se aninhar em seus lábios pintados de vermelho. Outra gota se esgueiou por seus cílios. Ela secou rapidamente o rosto e desviou os olhos,  não podia borrar a maquiagem. Pos os sapatos e saiu de casa o mais rápido possivel aliviada por estar indo trabalhar e ter de sair daquele lugar horrível.

Já escurecia quando Marisa saiu do trabalho, pegou o ônibus que  a deixou a dois quarteirões de casa.
- Mais um dia igual aos outros - pensava enquanto andava – fico me perguntando que se eu morresse, será que alguém viria ao meu enterro?
Pegou a chave na bolsa mas parou no segundo degrau. Lá, em sua frente, havia uma animalzinho encolhido no canto do tapete.
Marisa sorriu. Aquele pobre filhotinho trôpego e desolado, de olhos amedrontados e pelo cor de cobre, a fazia lembrar de alguém. Alguém que, por sinal, ela conhecia muito bem!
Pegou aquele bebê malcuidado no colo e o levou para dentro de casa, daria um bom banho nele e amanhã o levaria ao veterinário.


O despertador tocou, Marisa levantou, arrumou a cama, tomou café e se arrumou. Antes de sair, se olhou no espelho. Lá, em sua frente, fitando-a, estava uma linda mulher. Seus cabelos ruivos estavam presos num coque e seu sorriso pintado de vermelho. Ela olhou para baixo. Aos seus pés, estava um lindo cachorrinho abanando o rabo.
-Incrivel como uma simples atitude muda toda a nossa vida, né Pepe?
-Au Au!
-Beijos meu amor.
Marisa pos os sapatos e saiu de casa sem vontade nenhuma. Queria ficar lá brincando com Pepe, como fazia aos fins de semana.






Essa minha crônica saiu no blog  Memoirs and Books, junto com Meu primeiro poema.